O Direito a Leitura e as Bibliotecas com Bibliotecários

5 de agosto de 2019

Por Honorato Fernandes

O curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) completa, neste ano, 50 anos de existência no Maranhão. Para marcar este meio século de existência, os profissionais da área chamaram a sociedade para uma reflexão: os bibliotecários mostraram, no 3º Encontro Regional de Educação em Ciência da Informação (ERECIN), o quão são precárias as ações do poder público sobre as bibliotecas. Esta precariedade influencia diretamente na formação de leitores e de cidadãos com consciência crítica.

Os dados de São Luís, capital do Maranhão, chamam a atenção: com uma população superior a 1 milhão de habitantes, a cidade possui somente uma biblioteca municipal. Isto mesmo: uma única biblioteca municipal de acesso livre à população, que fica no bairro de Fátima.

Além de ser a única, a situação do local é o próprio retrato do descaso: a biblioteca tem somente um computador funcionando, os livros são, em sua maioria, antigos –– sem uma renovação do acervo há anos –– e não tem dotação própria.1

A escassez de fomento às bibliotecas repercute na escolaridade dos cidadãos. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 36% dos indivíduos pretos ou pardos são analfabetos no país. Entre os brancos, a taxa é de 14%.2

Sobre o analfabetismo em São Luís, os dados são os mais assustadores: segundo o último censo, em torno de 300 mil pessoas são categorizadas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto. São 30% da população. Um cenário preocupante.3

A situação das bibliotecas não é diferente nas escolas municipais. Das 162 escolas da rede municipal de São Luís, somente 69 possuem bibliotecas e, dentre elas, apenas sete são devidamente estruturadas. Quando elas existem nas escolas, são representadas por espaços com acervo ultrapassado e sem programas de leitura para formação dos estudantes, se sustentando, no esforço hercúleo de comprometidos e valorosos educadores (as).4

Ou seja, os espaços divulgados como bibliotecas nas unidades de ensino nada mais são do que números para a propaganda institucional da gestão de Edivaldo Holanda Júnior.
Além de fomento às bibliotecas, faltam os profissionais capacitados –– os bibliotecários –– dentro das instituições públicas. Como servidores em São Luís, existem apenas três – um na Secretaria Municipal de Cultura e dois na Secretaria Municipal de Educação.
Estes dados demonstram, claramente, o descaso de tempos da Prefeitura de São Luís à Educação por meio da leitura.

São necessários investimentos sérios em bibliotecas, concursos para bibliotecário – cuja função ultrapassa a organização de um acervo de bibliotecas, uma vez que são profissionais responsáveis por desenvolver políticas de incentivo à leitura e da construção de verdadeiros homens e mulheres cientes e praticantes de direitos e deveres – e acervos renovados.

Termino esta conversa parabenizando os 50 anos do Curso de Biblioteconomia da UFMA no Maranhão, e as bibliotecas comunitárias que, somente com a ajuda de representantes comunitários e de parcerias, têm mantido espaços que lutam e que executam projetos para o desenvolvimento de pequenos leitores, os nossos futuros cidadãos com pensamento crítico e com condições de análise da realidade. Queremos Bibliotecas públicas com Bibliotecários.

Fontes

1. Disponível em: http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2013/01/comissao-da-func-aponta-ma-conservacao-de-objetos-tombados.html
2. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101657_informativo.pdf
3. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ma/sao-luis/pesquisa/23/22469?detalhes=true
4. Disponível em: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2019/07/19/mp-aciona-prefeitura-de-sao-luis-e-governo-do-ma-por-falta-de-bibliotecas-nas-escolas.ghtml

Honorato Fernandes é vereador do município de São Luís, Maranhão, e atualmente exerce o segundo mandato.